Recuperação do excesso de peso após cirurgia bariátrica

Atualmente o Brasil é o segundo maior país em número de cirurgias bariátricas realizadas, sendo operados mais de 100.000 pacientes por ano, perdendo apenas para os EUA. Entre vários resultados que a cirurgia proporciona estão:  perda de peso, controle de doenças metabólicas como o Diabetes, melhora da autoestima e da qualidade de vida. Destaque também para a possibilidade de recuperação do peso perdido. 

As explicações para essa recuperação de peso incluem desde má aderência do paciente às mudanças de estilo de vida (hábitos alimentares e atividade física) até uma associação de causas hormonais, metabólicas, biológicas, psiquiátricas, medicamentosas ou anatômicas relacionadas ao procedimento cirúrgico. 

O que podemos fazer para evitar a recuperação de peso? 

Orientar os pacientes tanto no pré quanto no pós-operatório, sobre a necessidade de: 

  • Sempre iniciar a refeição pelo consumo das proteínas (que geram mais saciedade e são nutricionalmente ricas); 
  • Intensificar a mastigação; 
  • Incluir frutas e verduras no cardápio; 
  • Evitar os alimentos ultraprocessados, que são nutricionalmente pobres e ricos em açúcares e gorduras; 
  • Evitar o consumo de refrigerantes e outros refrescos com açúcar; 
  • Ter cuidado com o consumo excessivo de sucos, mesmo naturais, por serem altamente calóricos. 

Outra boa estratégia para reduzir o risco de recuperação de peso após um tratamento para a obesidade é associar uma atividade física aeróbica capaz de gerar uma queima calórica semanal significativa (cerca de 2.000kcal/sem) com atividade física de resistência, visando evitar perda de massa magra e prevenir uma grande queda na taxa metabólica basal. 

Muitas vezes, o tratamento medicamentoso é necessário, para tentar controlar padrões alimentares beliscadores, que estão intimamente ligados ao risco de recuperação de peso. 

A necessidade de um acompanhamento da equipe multidisciplinar (médico, nutricionista, psicólogo e outros profissionais) durante todo o pós-operatório e em longo prazo é nítida, e a falta desse seguimento é um importante fator de má evolução clínica que aumenta muito as chances de recuperação de peso após a cirurgia.

Diabetes gestacional

O diabetes gestacional (DMG) é definido como intolerância à glicose de qualquer grau, diagnosticado pela primeira vez durante a gravidez, e que pode ou não persistir após o parto. Esse tipo de diabetes se desenvolve a partir da 24ª semana de gestação (segundo trimestre) e ocorre devido à resistência insulínica provocada por alguns hormônios secretados na gestação.

O ponto de corte de 100mg/dl, considerado para a glicemia de jejum em adultos normais, não é válido para aplicação na gravidez. O diagnóstico deve ser feito com glicemia de jejum e/ou teste de tolerância à glicose entre 24 e 28 semanas de gestação.

Algumas mulheres apresentam mais riscos para desenvolver diabetes gestacional, como as de idade avançada (geralmente > 35 anos), as que apresentam sobrepeso ou obesidade antes da gestação ou, ainda, ganho excessivo de peso durante a gestação. Mulheres com história familiar de diabetes em parentes de primeiro grau, mulheres com a síndrome dos ovários policísticos ou que fazem uso de alguns medicamentos (corticoides, por exemplo) também são mais propensas a desenvolver a doença.

O diabetes gestacional, assim como o diabetes tipo 2, raramente provoca sintomas, mas precisa ser rastreado, pois suas consequências trazem inúmeros riscos, entre eles, a macrossomia (recém-nascido com peso > 4 kg), o aumento de problemas relacionados ao parto, maior risco de mortalidade (para a mãe e para o bebê), além de desenvolvimento psicomotor mais lento e obesidade e diabetes tipo 2 a longo prazo para o filho da mulher com diabetes gestacional. A gestante tem mais chances de ter um novo quadro de DMG em gestações e, também, de desenvolver diabetes tipo 2.

O tratamento do diabetes gestacional deve ser iniciado durante a gestação, com dieta e, sempre que possível, atividade física. Se as metas para a glicemia não forem atingidas, recomenda-se o uso de insulina.

Um bom controle glicêmico durante toda a gestação reduz os riscos para a futura mamãe e seu bebê! Então, consulte seu médico endocrinologista, faça um bom pré-natal, mantenha um peso saudável antes de engravidar e também evite o ganho excessivo de peso durante a gestação.

Câncer de mama X Obesidade

Você sabia que a obesidade é um dos principais causadores de câncer? Dados históricos dos últimos 25 anos apontam a obesidade como causa de aproximadamente 14 e 20% das MORTES por câncer em homens e em mulheres, respectivamente.

Esses números estão subestimados, pois a população tem ganhado peso de forma preocupante ao longo deste período. Uma notícia recente (24 de setembro de 2018) divulgada na CNN- Health, mostrou que a obesidade irá se tornar a principal causa de câncer em mulheres.

Hoje o tabagismo ocupa 12,4% das causas de câncer e a obesidade, 7,5%. Com as campanhas contra o tabagismo, proibição de fumar em locais fechados e por outro lado com a obesidade crescendo de forma epidêmica; a previsão é que a obesidade alcance a primeira posição em 2035.

No ano de 2002, em revisão feita por uma agência internacional (IARC) envolvendo peso corporal, atividade física e incidência de câncer, levou à conclusão de que a obesidade era responsável por 9% dos casos de câncer de mama em mulheres na pós-menopausa.

Os mecanismos que relacionam excesso de peso e o risco de câncer não são totalmente compreendidos, mas 3 sistemas hormonais estão bem estudados e relacionados com essa doença:

  • insulina e o fator de crescimento insulina-like (IGF-1)
  • os esteroides sexuais (hormônios sexuais, como a testosterona e estradiol, entre outros)
  • as adipocinas (leptina e adiponectina, substâncias produzidas pelo tecido adiposo)

Os níveis de insulina no sangue correlacionam-se positivamente com o aumento do índice de massa corporal, e muitos obesos têm resistência a insulina. O aumento de insulina pode contribuir para o desenvolvimento de câncer pelo efeito pró-crescimento, ou seja, a insulina aumenta a proliferação celular (mitogênese) e diminuem a morte programada de células velhas (apoptose), favorecendo a formação de tumores.

O câncer de mama após a menopausa está crescendo em mulheres com baixos níveis das proteínas ligadoras de hormônios sexuais (SHBG) e altos níveis de esteroides sexuais: DHEA, S-DHEA, androstenediona, testosterona, estrona e estradiol total.

No tecido adiposo existe uma enzima que converte precursores androgênicos em estradiol (enzima aromatase). Nas mulheres obesas, essa alta taxa de conversão, aumentando os níveis de estradiol, pode explicar o aumento do risco de câncer de mama após a menopausa. Existe uma clara associação de IMC com risco de câncer de mama pós-menopausa atribuída quase inteiramente aos altos níveis de estradiol no sangue.

A hiperplasia e hipertrofia do tecido adiposo induzem a inflamação local crônica, resistência à insulina e dessa forma, a obesidade pode também diminuir a atividade dos antioxidantes protetores do corpo e estimular o sistema de estresse oxidativo, um fenômeno que é importante para o desenvolvimento de tumores.

Devemos combater esse poderoso fator de risco para o aparecimento de câncer, em especial do câncer de mama, combatendo a obesidade. Estilo de vida saudável com a prática de exercícios físicos e uma alimentação equilibrada é a base das medidas a serem empregadas por todos nós!

Hipertireoidismo

A doença de Graves representa a causa mais comum de hipertireoidismo (aumento da função da tireoide com elevação de T3 e T4 e baixos níveis de TSH). Sua origem é autoimune e é encontrada de 5 a 10 vezes mais em mulheres do que em homens.

Os fatores que predispõe a esta doença são: genética favorável e alguns fatores ambientais, como radiação, injeção de etanol para a cura de nódulos de tireoide que produzem hormônios em excesso, terapia antirretroviral para o HIV e terapia com lítio e amiodarona. Situações de estresse (divórcio, luto, perda do emprego etc.) e o tabagismo também são apontados como sendo fatores que predispõem o início da Doença de Graves.

As 3 principais manifestações clínicas da Doença de Graves são: hipertireoidismo (com aumento da tireoide disseminado, alteração da órbita ocular (oftalmopatia – “olhar assustado”), e o espessamento na pela da perna (dermopatia).

Nos mais jovens, as manifestações mais comuns do excesso de hormônios da tireoide são: palpitações, nervosismo, cansaço aos mínimos esforços, emagrecimento acentuado (sem perda do apetite), sudorese excessiva com a pele quente e úmida, intolerância ao calor e preferência pelo frio, tremores, fraqueza muscular e hiperdefecação.

Nos idosos, as manifestações são mais atípicas, com prevalência de muita fadiga, prostração, fraqueza muscular, depressão e sintomas cardiovasculares com arritmias. Os exames laboratoriais mostram na Doença de Graves, níveis baixos ou indetectáveis de TSH, associados à elevação das frações (total e livre) do T4 e do T3, além da presença de anticorpos da tireoide (anti-TG, anti-TPO e TRAb).

O hipertireoidismo devido à Doença de Graves pode ser tratado através de:

1- Drogas antitireoidianas: para normalizar a produção de T3 e T4;
2- Iodo radioativo: desgastando a tireoide;
3- Cirurgia: para a remoção da tireoide.

A escolha do tratamento depende das características clínicas e preferências do paciente. A melhor estratégia deve ser discutida com o seu Endocrinologista. No Brasil, Europa e Ásia, a terapia primária mais utilizada é feita com as drogas antitireoidianas. Nos EUA, o tratamento de escolha inicial é com o iodo radioativo.

Os principais inconvenientes do tratamento com medicações orais (antitireoidianas) são a necessidade de tratamento por, no mínimo, 1 ano e a alta taxa de reincidência após a suspensão da droga (cerca de 50%). O iodo radioativo é muito eficaz em reverter o hipertireoidismo, mas, a médio ou longo prazo, cerca de 80% desenvolverão hipotireoidismo. A cirurgia está mais indicada em pacientes com bócios (aumento anormal da tireoide) muito volumosos e não responsivos às drogas antitireoidianas.

 

Conheça as funções da microbiota intestinal

A microbiota ou flora intestinal é influenciada pelo tipo de parto (normal X cesárea). Crianças nascidas por parto normal têm uma população de bactérias intestinais mais benéficas do que as nascidas por parto cesárea. O uso de fórmulas ou amamentação (crianças amamentadas pela mãe têm melhor perfil da microbiota), hospitalização e uso de antibióticos (estas medicações selecionam alguns microorganismos, matando as bactérias sensíveis e deixando outras se multiplicarem) também influenciam a microbiota intestinal, gerando ou não a disbiose.

Uma microbiota com predominância do grupo “Firmicutes” causa maior possibilidade de obesidade no indivíduo. Quanto mais fibras alimentares e carboidratos complexos na alimentação, melhor a qualidade dessa microbiota.

Esse desequilíbrio, no entanto, pode ser tratado através da introdução dos probióticos, que são cepas diferentes de bactérias responsáveis por trazer benefícios às mais variadas desordens. Essas aplicações clínicas compreendem doenças como obesidade, transtornos alérgicos alimentares, queda da imunidade, diabetes e resistência à insulina, hipertensão arterial, diarreia ou constipação, dentre outras. E é claro que uma alimentação balanceada e saudável se faz necessária para a saúde do indivíduo e dessa população de bactérias intestinais.

Qual o seu gatilho para iniciar uma mudança de hábitos de vida?

Uma mensagem para quem deseja construir novos hábitos e se tornar um exemplo para outras pessoas. O relato de Walfredo, meu esposo, é motivador e pode mudar sua percepção sobre força de vontade.

“Começo aqui me apresentando, meu nome é Walfredo Seabra, sou uma pessoa comum, com alguns hábitos de vida coletados durante décadas de pouco tempo livre, muito trabalho, alimentação equivocada e poucas noites de sono saudável.

Se você achou que sou um típico médico brasileiro, você acertou, mas poderia ser qualquer trabalhador como você, que come muito, mal e rápido, que perde algumas horas no trânsito e que trabalha em uma profissão muitas vezes estressante.

Via de regra, estamos tão absortos pela rotina que não percebemos que o tempo passa rápido, não temos a noção de quem somos, em quase todos os aspectos da nossa vida a soma das opções e decisões que tomamos no dia-a-dia, seja no tocante ao nosso físico mas também nas relações familiares, profissionais e pessoais.

O meu gatilho para mudança dos meus hábitos de vida veio da dor, em 2015 durante uma viagem com esposa e amigos queridos tive uma dor lombar intensa proveniente de uma hérnia de disco incluindo diminuição de força na perna esquerda e formigamento, não conseguia acompanhar minha turma nas caminhadas tão presentes em viagens assim, ao retornar ao Brasil ouvi como paciente uma frase que falava “sem filtros“ a muitos pacientes (se você não emagrecer e mudar de vida agora, você vai pra faca, vai ter que operar a coluna).

A percepção da finitude, de que meu corpo tinha chegado ao seu limite, de alguma maneira, me deu força para sair daquela situação ao invés de me fazer jogar a toalha e fazer o que pra muitos seria o mais fácil, que seria a cirurgia. Até então com 136 Kg e 1,78 m de altura, estava tão inserido em um círculo não tão virtuoso de desculpas e recompensas na comida que não vislumbrava a saída, não sabia por onde começar a mudança e como é difícil a tal decisão!

A despeito da cobrança de minha endocrinologista e amada esposa, sempre me alertando dos riscos da obesidade e doenças crônicas como o diabetes e demais doenças graves como AVC e Infarto, não conseguia sair da doce rotina de viagens, jantares, confrarias e degustações. Pois bem, o medo da cirurgia e a limitação física da dor me impulsionaram, ainda bem que não foi um AVC ou Infarto!

Fiz o que todos deveriam poder fazer, procurei ajuda multidisciplinar e muito importante foi me entender dependente da comida e da sensação de prazer que o ato de comer me proporcionava.

Iniciando medicação adequada para inibir a apetite, com mudança nas escolhas alimentares (não gosto do nome dieta até hoje) e fisioterapia para reabilitação motora, após 3 meses eliminei 12kg. Tive alta da fisioterapia e dei início imediato na atividade física moderada, com personal trainer. 6 meses depois já se foram 20 kg no total, roupas novas, humor e auto estima lá em cima.

Assim, foi mais do que fácil continuar. Ainda estava com 116 kg e como trabalho bem com metas estabeleci uma nobre nova meta pra mim, ir no casamento do cara que mais amo e admiro no mundo, meu irmão Wagner com menos de 3 dígitos na balança. Tinha ainda 6 meses para o casório. Missão dada, missão cumprida. Estava com 97 kg e muito feliz.

Amigos, todo início é difícil. O corpo humano é feito para acumular energia, memória genética de milênios de evolução. Costumo dizer que lutamos diariamente contra o nosso “sabotador mental“. Quando diminuímos a ingestão calórica advém, dores de cabeça, irritabilidade, insônia, letargia e falta de disposição.

PARE, RACIONALIZE, PERCEBA O QUE ESTÁ ACONTECENDO E PERSISTA.

Hoje mudei muitos aspectos da minha rotina e, acreditem, ela está até mais gostosa. Agora sei o que devo, ou não, comer e principalmente participo diariamente de treinos (por vezes até exaustivos) na modalidade apaixonante e mais complexa que já conheci: treinamento funcional e um BOX.

Caro leitor, torço por você. AJA HOJE.

Estou curioso para saber, QUAL SERÁ SEU GATILHO?”

Diabetes em foco

Para encerrar o mês de Julho, resolvi relembrar a minha entrevista concedida ao programa Viver Bem, no dia 07 de julho.

O programa tem como objetivo abordar pautas relacionadas à saúde e bem-estar. Na oportunidade, falei um pouco sobre o Diabetes, doença silenciosa que acumula estatísticas que inspiram cautela. De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 16 milhões de brasileiros sofrem de diabetes. Ainda referente a esse estudo, a taxa de incidência da doença cresceu 61,8% nos últimos dez anos.

O bate-papo tem como finalidade esclarecer dúvidas dos telespectadores e dar algumas dicas de como identificar o Diabetes. Agradeço pela oportunidade dada pela Band RN e toda produção do programa Viver Bem, tocar nesse assunto extremamente importante. Afinal, trata-se de uma doença progressiva e todo alerta à população se faz necessário. Assista o vídeo e confira o bate-papo completo.

Acesse:  https://www.youtube.com/watch?v=qxSA9utRRXU

NAFDL: você sabe o que é?

O álcool não é o único causador do excesso de gordura no fígado. Pessoas que consomem pouca ou nenhuma bebida alcoólica também podem desenvolver o problema.

Estamos falando de NAFDL ou DHGNA, as siglas para Non Alcoholic Fatty Liver Disease (em inglês) e Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (em português), caracterizada por inflamação e graus variados de fibrose e até cirrose (caso mais grave).

Trata-se da principal causa de elevação de enzimas hepáticas e uma das formas mais comuns de doença do fígado em todo o mundo. A doença hepática gordurosa não alcoólica atinge entre 10% e 24% da população mundial.

Essa proporção é ainda maior em obesos, diabéticos tipo 2 e pessoas com colesterol elevado. Com o número crescente de crianças e adolescentes obesos, a doença também já acomete a população pediátrica. Entre 3% e 11% das crianças e adolescentes têm o problema.

O diagnóstico é feito após a exclusão de outras causas de doença hepática, como o uso abusivo de álcool, hepatites virais e doenças autoimunes. A doença também pode ser detectada por meio de ultrassonografia, que revela um fígado gorduroso e pela elevação das enzimas hepáticas.

Como até o momento não existe tratamento específico para a doença, é importante identificar e corrigir os fatores de risco, que são: idade avançada, obesidade, diabetes tipo 2, síndrome metabólica e resistência à insulina.

Quando houver sobrepeso e/ou obesidade, deve-se priorizar a mudança de estilo de vida, adotando uma alimentação saudável e equilibrada e atividade física regular, com o objetivo maior de perder peso.